
Em 1862, o Imperador Dom Pedro II assinou a lei que substituía o antigo sistema de medidas colonial (como alqueires, arrobas, libras e palmos) pelo moderno sistema métrico decimal francês (metros, litros e quilos). O governo deu uma década para a transição. No entanto, quando os novos padrões de metal e madeira chegaram às feiras do Nordeste no final de 1874, o povo — majoritariamente analfabeto e já sufocado pela inflação e impostos altos — reagiu com profunda desconfiança.
O estopim ocorreu na feira de Fagundes, na Paraíba. Os feirantes perceberam que os novos pesos de metal fornecidos pelas câmaras municipais (pelos quais eram obrigados a pagar uma taxa de aluguel) faziam as mercadorias parecerem "menores" na balança do que no sistema antigo. O boato de que o quilo era uma invenção maçônica e imperial para roubar o povo espalhou-se como pólvora.
Liderados por figuras populares como João Vieira, o "Corta-Jaca", bandos armados invadiram as feiras coloniais aos gritos de "Abaixo o quilo!". Eles tomavam as balanças dos fiscais, quebravam os pesos oficiais de metal e jogavam as medidas de vidro nos rios. A revolta, conhecida como Sedição dos Quebra-Quilos, paralisou o comércio de dezenas de vilas nordestinas. O Império viu-se obrigado a enviar tropas de linha do Exército para sufocar o movimento, prendendo centenas de camponeses em uma das reações mais singulares contra a modernização científica da história brasileira.


