
Diferente de seu pai e avô, Dom Pedro II era um intelectual apaixonado por ciência, fotografia e astronomia. Em 1876, durante uma de suas viagens ao Egito, o imperador brasileiro ganhou um presente extraordinário do quediva Ismail Paxá: o sarcófago original contendo a múmia de Sha-Amun-en-su, uma sacerdotisa e cantora do santuário de Amon (datada de aproximadamente 750 a.C.).
Em vez de enviar a peça arqueológica inestimável diretamente para um museu, Dom Pedro II decidiu que queria a múmia por perto. Ele manteve o sarcófago em pé, o tempo todo, dentro do seu próprio escritório particular no Palácio de São Cristóvão. O imperador costumava trabalhar, ler e receber autoridades com a múmia egípcia bem ali, fazendo-lhe companhia. Apenas após a Proclamação da República (1889) a múmia passou a fazer parte do acervo do Museu Nacional. Tragicamente, após sobreviver milênios no Egito e décadas no palácio imperial, a múmia de Sha-Amun-en-su foi completamente destruída no trágico incêndio do Museu Nacional em 2018.


