A sombria lenda de um homem tão perverso que, após sua morte, foi rejeitado por Deus, pelo Diabo e pela própria terra, sendo condenado a vagar como um cadáver ambulante que seca árvores e ataca viajantes em estradas desertas.
Portal dos Mitos: Corpo-Seco

Dentre todas as assombrações que povoam o interior do Brasil, nenhuma carrega tamanha carga de rejeição e horror quanto o Corpo-Seco (também conhecido em algumas regiões como Unhudo). A lenda conta a história de Zé Maximiano, um homem que em vida foi de uma crueldade sem limites. Ele não apenas desrespeitava os vizinhos, mas cometeu o pior dos sacrilégios: espancou a própria mãe até a morte.

Ao falecer, o Além se recusou a recebê-lo. O céu fechou as portas devido aos seus pecados imperdoáveis e o inferno o empurrou de volta por considerá-lo ruim demais até para o próprio demônio. Quando seus parentes tentaram enterrá-lo em solo sagrado, a própria terra, enfurecida, cuspiu o caixão de volta para a superfície. O cadáver simplesmente se recusava a apodrecer.

O Aspecto da Assombração: O Corpo-Seco transformou-se em uma criatura horripilante. Sua pele é colada aos ossos, seca como pergaminho enrugado e de uma cor cinzenta-esverdeada. Suas unhas cresceram excessivamente, transformando-se em garras afiadas e sujas de terra, e seus olhos são órbitas opacas cheias de puro rancor.

Ele habita os troncos ocos de árvores mortas e as margens de estradas de terra escuras durante a calada da noite. Quando uma pessoa passa desavisada, o Corpo-Seco salta de seu esconderijo e abraça a vítima com uma força sobrenatural, cravando suas garras e sugando o sangue dela como um vampiro do sertão. Dizem os antigos que, por onde ele passa, a vegetação morre instantaneamente; se ele encosta em uma árvore frondosa, as folhas secam e caem em questão de segundos, deixando apenas um galho retorcido e sem vida.