Uma das assombrações mais misteriosas da Amazônia. Uma velha bruxa que se transforma em um pássaro de mau agouro à noite, cujo assobio estridente rasga o silêncio da floresta e exige tabaco sob a promessa de vingança.
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Nas madrugadas silenciosas da floresta amazônica, o som mais temido não é o esturro da onça, mas o assobio agudo, longo e doloroso da Matinta Perera (ou Matinta Pereira). Esta lenda, profundamente enraizada na cultura paraense, mistura o xamanismo indígena com as histórias de bruxaria europeias.

A Matinta é descrita como uma mulher idosa, extremamente ranzinza, maltrapilha e de cabelos brancos desgrenhados que cobrem parte de seu rosto deformado. No entanto, ela possui uma habilidade sobrenatural de transmutação. Ao cair da noite, por meio de feitiços antigos, ela se transforma em um pássaro de cor escura e lúgubre — muitas vezes associado ao rasga-mortalha ou a uma espécie de coruja gigante.

Nessa forma alada, ou pairando invisível sobre os telhados das casas na beira dos igarapés, ela solta um assobio estridente e modulado: "Seeeeteee... Seeeeteee...", um som que causa calafrios, faz os cachorros uivarem de pânico e acorda os moradores em desespero. O assobio da Matinta indica que alguém naquela casa ou na vizinhança vai adoecer ou morrer em breve, a menos que o morador tenha a coragem de enfrentá-la de uma forma muito específica.

O Pacto do Tabaco: Quando o assobio se torna insuportável, o chefe da casa deve ir até a janela e gritar para a escuridão da floresta: "Matinta, pode parar de berrar! Venha amanhã cedo aqui em casa que eu te dou tabaco, café e cachaça!"

Imediatamente, o assobio cessa. No dia seguinte, logo pela manhã, uma velha senhora desconhecida, vestindo roupas humildes mas com um olhar astuto e penetrante, bate à porta da casa exigindo o prometido. O morador é obrigado a entregar o fumo e o café com toda a cortesia. Se ele se recusar ou zombar dela, uma terrível maldição cai sobre a família, trazendo doenças incuráveis ou a loucura.