Nos suntuosos palácios da Frígia, cercado por jardins de rosas aromáticas e riquezas inestimáveis, governava o Rei Midas. Apesar de possuir uma das coroas mais prósperas da Antiguidade e o amor incondicional de sua jovem filha, Midas carregava no peito uma insaciável ambição: o desejo de acumular mais ouro do que qualquer mortal ou deus jamais contemplou. Ele acreditava que a verdadeira soberania e o poder supremo residiam na capacidade de transformar o mundo em puro metal precioso.

A Dádiva Imprudente do Deus do Vinho

A oportunidade para realizar seu maior desejo surgiu quando Midas acolheu e tratou com imensa hospitalidade o sábio Sileno, preceptor e seguidor do deus Dionísio. Em agradecimento pela generosidade do rei, Dionísio concedeu-lhe o direito de fazer um único pedido, prometendo realizar qualquer desejo sem restrições.

Tomado pela ganância, Midas não hesitou: pediu que tudo o que ele tocasse com o próprio corpo fosse instantaneamente convertido no ouro mais brilhante e puro.

"A partir de hoje, que as pedras, os galhos e a própria terra se rendam ao meu toque e se tornem riqueza eterna!", proclamou o rei.

Dionísio, embora ciente da loucura oculta naquele pedido, cumpriu a promessa.

A Ilusão da Riqueza e a Maldição da Fome

Inicialmente, Midas vivenciou um êxtase divino. Ele colheu uma maçã de um galho, e a fruta transformou-se em ouro sólido. Tocou as colunas de seu palácio, as pedras do chão e as rosas do jardim; todas reluziam sob o sol, imortais e reluzentes. Ele sentia-se o homem mais poderoso sobre a Terra.

Contudo, a ilusão de poder não tardou a revelar seu lado sombrio. Quando a noite caiu e o rei sentou-se à mesa para banquetear-se, percebeu a dimensão de seu erro:

  • O Pão e a Carne: Ao levar a comida à boca, o alimento endurecia e transformava-se em placas de ouro inestimáveis, porém inestagáveis.

  • A Água e o Vinho: Ao erguer a taça para saciar a sede, o líquido congelava em ouro derretido antes de tocar seus lábios.

O rei soberano, dono de tesouros infinitos, viu-se subitamente diante da morte por fome e sede, acorrentado pela própria ambição.

O Abraço que Paralisou o Tempo

A verdadeira tragédia, porém, aguardava o momento mais doloroso. Vendo o desespero e os gritos de agonia do pai, a jovem filha de Midas correu ao seu encontro. Com o coração cheio de compaixão e amor puro, a princesa lançou-se nos braços do rei para consolá-lo.

Em um reflexo desesperado de proteção, Midas envolveu a filha em seus braços. No exato instante em que sua pele tocou a pele da jovem, o calor da vida evaporou-se. Os cabelos macios da princesa tornaram-se fios de ouro rígidos, suas vestes congelaram em metal reluzente e seus olhos cheios de vida transformaram-se em duas esferas douradas e inertes.

Midas não segurava mais a filha que amava, mas sim uma estátua fria de ouro inanimado — uma escultura eterna esculpida pela sua própria ganância.

O Arrependimento e as Águas do Rio Pactolo

Horrorizado e despedaçado pela dor, Midas caiu de joelhos e implorou aos céus. Ele renunciou a todas as suas coroas, suas terras e seus tesouros, pedindo apenas que Dionísio retirasse a terrível maldição e lhe devolvesse a vida da filha.

Piedade e compaixão tocaram o coração do deus. Dionísio ordenou que o rei marchasse até as nascentes do Rio Pactolo e banhasse a cabeça e as mãos em suas águas sagradas para lavar a ganância e o toque de ouro de seu corpo.

Midas seguiu a ordem rigorosamente. Ao mergulhar nas águas do rio, a maldição transferiu-se para o leito da correnteza — razão pela qual, segundo os antigos gregos, o Rio Pactolo passou a conter areias douradas. Em seguida, o rei encheu um recipiente com a água do rio e regou a estátua de sua filha. Gradualmente, o metal frio amoleceu, a cor da pele retornou e o calor do abraço humano substituiu o brilho da tragédia.