O avanço do fenômeno climático El Niño acendeu o alerta em Santa Catarina. Conhecido por alterar significativamente o padrão de temperaturas e precipitações em todo o globo, o El Niño atinge o Sul do Brasil com características marcantes: chuvas acima da média, tempestades severas e maior frequência de eventos extremos.

O que provoca o El Niño?

O El Niño é um fenômeno oceânico-atmosférico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aumento de temperatura altera a circulação dos vossos ventos alísios e modifica a distribuição de umidade pela atmosfera.

Enquanto em outras regiões do planeta o fenômeno provoca secas severas (como no Norte e Nordeste do Brasil), no Região Sul o efeito é oposto:

  • Bloqueio atmosférico: A alteração nos jatos de vento impede a passagem rápida de frentes frias, fazendo com que sistemas de chuva permaneçam parados sobre o estado.

  • Aumento da umidade: O fluxo reforçado de ar quente e úmido vindo da Amazônia encontra massas frias no Sul, gerando tempestades volumosas e contínuas.

Principais impactos negativos em Santa Catarina

A atuação do El Niño traz desdobramentos críticos para diversas regiões e setores da economia catarinense:

1. Riscos urbanos: Enchentes, enxurradas e deslizamentos

Regiões como o Vale do Itajaí e o Oeste catarinense são historicamente as mais vulneráveis ao excesso de precipitação. O acúmulo diário de chuva pode ocasionar:

  • Inundações graduais: Transbordamento de grandes rios, afetando municípios populosos.

  • Enxurradas relâmpago: Volume elevado em curto espaço de tempo, especialmente em áreas de relevo acentuado.

  • Deslizamentos de terra: Solo encharcado nas encostas aumenta drasticamente a instabilidade de morros e encostas urbanas.

2. Prejuízos na agricultura e pecuária

O setor agropecuário é um dos mais impactados pelas precipitações excessivas. Segundo levantamentos da Epagri, as safras de inverno e de início de primavera enfrentam fortes perdas.

3. Danos à infraestrutura e estradas

A malha viária catarinense sofre degradação acelerada sob o efeito contínuo de chuvas. Obras de contenção, pontes do interior e rodovias estaduais e federais registram pontos de interdição por queda de barreiras e formação de erosões.

Ações de mitigação e prevenção

Para combater esses efeitos, órgãos estaduais como a Defesa Civil de Santa Catarina e a Epagri mantêm monitoramento constante dos reservatórios e bacias hidrográficas. Investimentos em infraestrutura, como a manutenção de barragens de contenção no Alto Vale (Taió, Ituporanga e José Boiteux), são fundamentais para regular o fluxo dos rios durante picos de precipitação.

A orientação da Defesa Civil às populações moradoras de áreas de risco é acompanhar diariamente os boletins meteorológicos e seguir os alertas de evacuação em caso de risco iminente de alagamentos ou deslizamentos.

Para entender em detalhes como a Epagri avalia os impactos do fenômeno na safra e as recomendações para os produtores catarinenses, assista ao vídeo Estimativas da Epagri apontam impactos do El Niño na produção. Este vídeo é relevante pois traz dados técnicos e projeções oficiais do órgão de pesquisa agropecuária de Santa Catarina sobre as perdas e estratégias de manejo durante a atuação do El Niño.